02 de dez

Jalapão – Tocantins 2003 – Brasil

Confira as aventuras vividas por um grupo de aventureiros, nos 10 primeiros dias do mês de março de 2003. De Fortaleza ao deserto de Jalapão – Dias: 01, 02 e 03 !!!

Primeiro dia: 01 de março
De Fortaleza no Ceará a Floriano no Piauí.
Distância: 881km

Grupo formado, cronograma, adesivos e camisas feitos, compras e carros prontos, nos encontramos no Posto Guararapes, em Fortaleza às 05:00 do dia 01 de março de 2003. Tivemos que dividir a bagagem pois o Troller branco do Guga ia com cinco pessoas e, ou os cinco iam sem bagagem ou a bagagem ia sem todas elas. No fim deu tudo certo.

Sávio, Menezes e o Fernando Transágua resolveram o assunto. Nesses carros iam todos os mantimentos, fogareiros, panelas e tudo para eventuais acampamentos. O futuro iria provar que, embora parecesse um exagero, isto foi essencial para o sucesso da expedição, dado os fatos que ocorreram e que passarei a narrar.

Dia sem incidentes e o fato que mais chamou atenção foi a farofada em um Posto de combustível, onde comemos nossas farofa de frango, cachorro quente, melancia, arrumadinho (feijão tropeiro), etc.,etc., enfim, pic-nic p’ra ninguém botar defeito. Dormimos em Floriano, debaixo de relâmpagos e trovões.

Segundo dia: 02 março
De Floriano no Piauí a Balsas no Maranhão
Distância: 405km

Inicialmente o trecho deveria ser de Floriano a Carolina no Maranhão. Os deuses não quiseram. Menezes e Mercedes capotaram em sua Land Rover, ficando o carro destruído. Ainda não sabemos o que houve, pois esperamos o resultado da perícia. Talvez um defeito mecânico. Foi inexplicável. O Menezes, um motorista altamente experiente, não ia dar bobeira em pleno asfalto.

Bom, o fato é que o grupo ficou muito assustado. Enquanto o Menezes e a Mercedes iam para o Hospital de Balsas (felizmente nada tiverem), providências foram tomadas para rebocar o carro que no mesmo dia foi levado pela Seguradora, para Imperatriz (Ma). Tenho certeza de que será perda total. Estávamos todos muito cansados e estressados. Dormimos no Hotel das Mangueiras.

Terceiro dia: 03 de março
De Balsas no Maranhão a Carolina no Maranhão
Distância: 173km

No dia seguinte, 12:30, com tudo encaminhado e sabendo que os dois estavam bem, partimos para Carolina (Ma), onde chegamos a tempo de visitar algumas cachoeiras, uma vez que tínhamos decidido pela manutenção do cronograma. Carolina é ainda desconhecida pelos turistas. É uma Chapada de relevo montanhoso, planícies, cachoeiras e riachos caudalosos. Os ventos e as águas se encarregaram de arredondar as serras, os morros e esculpiu os paredões abruptos. Visitamos a cachoeira da Pedra Caída. Realmente sensacional.

Já vi muitas cachoeiras, nenhuma tão diferente como aquela! A visita é guiada, o acesso é feito por uma escadaria íngreme e uma caminhada por dentro do rio. De repente, após uma curva, abre-se um enorme salão de água e paredes extremamente altas com uma pequena abertura lá em cima de onde despenca uma cachoeira de 46 metros em queda livre, formando inúmeros arco íris. O banho tem que ser de costas pois os respingos são tão fortes que machucam a pele do rosto e os olhos.

A emoção é tamanha que as pessoas ficam gritando sem parar. Nos emocionamos e nos consideramos pessoas privilegiadas. O Brasil me emociona! Nada vi igual nem na Chapada Diamantina e nem na dos Veadeiros. Vale a pena! Visitamos também a do Itapecuru constituída por duas quedas que caem em um lago. A paisagem me lembrou o Lago Canaima, na Venezuela, guardadas as devidas proporções.

Quanto à cidade, é muito pequena, as condições de estadia muito precárias e de alimentação pior ainda. Carolina ficou para trás com a sensação de que deve ser visitada para que seja melhor conhecida. Nesse dia ficamos sabendo que o Menezes e a Mercedes já haviam partido para Fortaleza e que ele na verdade trincara três costelas.

De Fortaleza ao deserto de Jalapão – Dias: 04 e 05 !!!

Quarto dia: 04 de março
De Carolina no Maranhão a Ponte Alta em Tocantins
Distância: 678km

Acordando, tive um dissabor. Meu aparelho ortodôntico removível, que estava em cima da geladeira, foi empurrado sei lá por que forças, rodopiou no ar. Corri para impedir a queda, ele caiu bem embaixo do meu sapato e … CREEEK ! Só outro. Saímos de Carolina meio frustados, alguns com dor de barriga. O restaurante, na verdade um self service super precário, foi o culpado. Entre mortos e feridos escaparam todos. Atravessamos o majestoso Rio Tocantins, de águas mansas, em uma enorme balsa e estávamos em Filadélfia já no Estado de Tocantins.

Tocamos para frente passando por Palmerante(TO), Colinas de Tocantins(TO), onde pegamos a Belém-Brasília. No Troller branco os ocupantes, meio sardinha meio gente, se jogavam uns contra os outros no asfalto esburacado, quase inviável. No Vitara, o Ricardo parava de vez em quando para aplacar o estômago revoltado pelos maus tratos de uma comida indigesta. Passaram por nós, Miranorte, Miracema do Tocantins, Palmas, Porto Nacional, Monte do Carmo, todas no Tocantins.

Chegamos a Ponte Alta, no limite do Jalapão, mais ou menos às 20:00. Encontramos com o grupo de Brasília e foi uma festa. A estadia também muito precária. A comida nem tanto: Dona Lázara, da Pousada Planalto, fez um jantar delicioso, onde não faltaram pequis e farofa de couve. Delícia! Dormimos e partimos cedinho para o Jalapão propriamente dito. Em uma reunião decidíramos visitar primeiro a parte oeste, voltar a Ponte Alta para então irmos até Mateiros e conhecermos a porção leste. Visitamos o Lajeado, cachoeira que desce em degraus de lajes avermelhadas, para despencar em um poço.

A descida é perigosa, mas muitos se aventuraram, achando a água deliciosa. Eu, prudentemente, fiquei lá em cima tomando banho nas pequenas quedas. Fomos a Cachoeira da Velha, muito imponente, a maior do Jalapão, em forma de ferradura. O banho é nas praias abaixo. Em uma das praias do Rio Novo acampamos para o almoço que constou do velho macarrão com molho à bolonhesa e farofa de lingüiça. Como havíamos levado barraca, resolvemos ficar por ali juntamente com a Tamara, Marcelo, Luciana, Miguel, Gustavo e Paige. Os outros voltaram para Ponte Alta, situada a 110km de estrada de chão bem precária.

Acampamento na Praia do Rio Novo

Há um local preparado para acampamento. Um refúgio onde se pode colocar sacos de dormir e colchonetes em um estrado, um local para se fazer um churrasco e areias limpas para se armar barracas à beira do rio. O interessante é que os mosquitos, que não são poucos desaparecem ao anoitecer. Depois que armamos nossas barracas, a churrasqueira foi instalada e o vinho aberto.

O rio fazia um burburinho gostoso, o céu estava super estrelado, a água morninha e entre um banho e outro comíamos churrasco, um gole de vinho, eu e a Tamara falávamos sobre a nossa viagem ao Alaska e escutávamos os barulhos da noite. O Haroldo parecia um jacaré dentro do rio, também pudera, só ele dirigia o Troller velho de guerra, o mesmo que em 2000 enfrentou a Patagônia.

A noite foi gostosa. O Gustavo gostou de tudo, dormiu sozinho em uma barraca que a Tamara nos emprestou. Amanhecemos tomando banho no rio e escovando os dentes. Café tomado, desarmamos nosso acampamento e nos dirigimos para Mateiros situada a 48km.

Quinto dia: 05 de março
Do Rio Novo a Mateiros
Distância: 48km

Ao desmancharmos nosso acampamento resolvemos visitar logo as Dunas do Jalapão, que ficam a uma distância de 16km. A paisagem é muito bonita, serras achatadas pelos ventos e água, os testemunhos que lembravam o Parque Canaima na Venezuela, onde os índios pemones os chamam de tepuys. Os “tepuys” do Jalapão são muito mais bonitos e imponentes, embora a paisagem seja bem parecida. Ver de longe as dunas foi impressionante.

É um contraste incrível. Ver os campos de dunas inesperadamente vermelhas, já que estamos acostumados com nossas dunas de areias brancas, foi muito diferente e belo! Êta país bonito! Após algumas fotografias, descemos duna abaixo e fomos para Mateiros. No caminho, tentamos várias vezes, comunicação pelo rádio com o restante do grupo e nada. Começou a cair uma chuva muito forte e ficamos sentados no terraço da Pousada aguardando os outros. Encomendamos o almoço e esperamos e esperamos. Mais ou menos 1 hora da tarde o grupo foi chegando.

A demora deveu-se ao tombamento do Troller branco. Na chuva, a estrada muito escorregadia ficou difícil, o carro rabeou várias vezes e terminou por tombar, ficando de lado. O Troller foi colocado na posição normal, os passageiros foram examinados, todos sãos e salvos. O Troller branco rodou normal mas o Felipe começou a sentir uma dor que deixou todos preocupados. Sabíamos que não havia fratura.

O Felipe estava nervoso o que tornava a dor maior e nos deixava sem a orientação da verdadeira situação. Fomos ao Posto Médico, só havia uma enfermeira. Como ele já estava medicado, fez-se uma atadura. Ainda deu tempo para visitarmos o Fervedouro, que é um grande poço de águas cristalinas, formado por uma nascente de onde sai grande quantidade de areia. Nada afunda, a gente é jogado para cima.

É interessante, mas só isso; a Cascata do Rio Formiga, muito bonita de águas verde azuladas, transparentes, borbulhantes e de banho muito gostoso. Foi um bom jantar e uma boa dormida nos quatro quartos da Pousada, onde nos organizamos em camas, colchonetes, redes e barracas no quintal. No dia seguinte, o Felipe havia melhorado mas ainda estava bastante nervoso.

O Troller branco teve sua capota costurada à mão e lacrada com silver tape. Resolvemos pegar a trilha para São Felix e daí a Alto Parnaíba onde pegaríamos o asfalto para Balsas. As surpresas ainda não haviam terminado. A trilha se revelaria, no frigir dos ovos, como o maior acontecimento da viagem, deixando temporariamente no esquecimento as lindas cachoeiras, relevo impressionante e dunas do Deserto do Jalapão.

De Fortaleza ao deserto de Jalapão – Dias: 06 e 07: Perdidos no Jalapão !!!

Dia 06 de março
Perdidos no Jalapão – A Trilha

Antes de sairmos da Pousada surgiu um grupo de mulheres artesãs levando bolsas de vários formatos, arcos, pulseiras, cintos feitos com o capim dourado. Gente, que coisa linda! O capim é realmente dourado, as peças são bem elaboradas e maravilhosas. Embora eu não seja uma viajante consumista não pude deixar de comprar uma bolsa dourada de capim. Realmente, o Brasil me emociona! Ao sairmos de Mateiros, nos despedimos do grupo de Brasília e fomos no rumo de São Felix do Jalapão. Lá, segundo nossos mapas e planejamento pegaríamos uma estrada para Alto Parnaíba.

Era isso que o mapa do Guia Quatro Rodas nos dizia. De Mateiros a São Felix são 79km. Quando faltavam 18km para São Felix, havia uma encruzilhada e duas pessoas nos informaram que a trilha correta era a da esquerda, essa nos levaria a Alto Parnaíba (PI). A única dificuldade seria uma descida íngreme e que depois dela tudo ficava tranqüilo.
Abandonamos o nosso mapa inicial, acreditando na informação. Ele já havia dado um erro grande em Palmerante (TO), quando nos mostrara uma estrada que não existia.

Assim, não chegamos a São Felix, seguimos a trilha indicada. Chegamos à bendita ladeira, realmente íngreme e maltratada (até hoje discutimos, em graus, sua inclinação), cheia de erosões e pedras soltas. Desistimos no ato, mas um de nós achou uma trilha que corria paralela. Era também íngreme. Continha poucas erosões mas muitas pedras soltas. Após uma reunião resolvemos descer.

Quando todos chegaram em baixo, o Fernando me disse: “Se a trilha não tiver saída, meu Vitara não vai conseguir subir isso, aliás, acho que nenhum de nós vai conseguir, e acrescentou, se o carro não conseguir subir vai ter que voltar de ré, com muita perícia”. Bem, na hora não me toquei para a gravidade da situação, só mais tarde, quando então o bicho pegou. A trilha era difícil, pinguelas precárias, areia, atoleiros, e em um determinado trecho tivemos a impressão que estávamos aprisionados entre os paredões de arenito. Entramos em uma garganta e, finalmente, o cerrado se abriu à nossa frente.

Não vimos vivalma. Algum gado solto, cercas desativadas, só isso. Cinco horas da tarde estávamos perdidos no cerrado. Tentando achar a trilha, nos perdemos uns dos outros. Resolvemos nos organizar, através dos rádios (imprescindíveis nessas viagens). O Cerrado não tem referências. Tomamos como ponto uma cerca desativada e seguindo a mesma conseguimos nos organizar. Tive medo de não nos encontrarmos. É uma sensação angustiante.

Nos organizamos e resolvemos retornar pelo mesmo caminho, acamparmos à beira de um rio próximo à ladeira. Lá faríamos um jantar, tomaríamos um banho e pensaríamos como sair dali.

Perdidos no Jalapão – O Acampamento

Chegando ao rio e atravessando a ponte, começamos a armar o acampamento. Mais uma vez tive muito medo. Eu já havia calçado minha botas, mas estava vendo pessoas descalças, com sandálias havaianas, os pés totalmente desprotegidos. Nós, que moramos em beira de praia, não temos preocupação com picadas de cobra, escorpiões e outros bichos peçonhentos.

Daí a preocupação zero com o assunto. Comecei a falar com as pessoas para colocarem seus tênis, meias, calças compridas e olharem para o chão. Alguns acenderam uma grande fogueira (que ficou acesa por toda a noite), o que também me preocupou por causa do capim alto. Foi providenciado um caldeirão, que amarrado a uma corda era jogado de cima da ponte no rio de correnteza forte. Essa água serviu para cozinhar o macarrão e tomarmos banho.

Na madrugada seguinte o caldeirão foi arrastado pela correnteza. A fogueira nos iluminava assim como uma luz socorro ligada na bateria da L 200. Nos juntamos em torno do macarrão, servido com um garfo improvisado a partir de um garrancho em forma de forquilha, da farofa de lingüiça, um queijo bola, algumas latas de sardinha, outras tantas de atum e uma garrafa de pinga. Muitos dormiram em redes armadas entre os jipes, a maior parte dentro dos carros.

Eu, o Felipe e o Igor, na barraca. As pessoas foram se recolhendo, abatidas pelo sono e emoções do dia. Não consegui dormir, fiz duas rondas, preocupada com o fogo e com cobras. Não vi um bicho, talvez a fogueira os tenha afastado, alguns barulhos no rio lembravam mergulhos. Seriam capivaras? Mais tarde saberíamos que naquela região existem onças e jaguatiricas. Nada vi, só um céu extremamente estrelado com direito à Via Láctea e Cruzeiro do Sul, nítidos como há muito não os via.

Além dos “mergulhos” nada ouvi, só o marulhar das águas. As feras estavam mesmo nas redes do acampamento. Os roncos ecoavam pelas brenhas do Tocantins. Demos sorte, não choveu, o que seria o horror já que muitas pessoas estavam em redes. Uma chuva tiraria qualquer possibilidade de subirmos a bendita ladeira. À medida que a noite avançava a ladeira aumentava. Ah, os fantasmas noturnos. Como são grandes!

Dia 07 de março
Perdidos no Jalapão – A Ladeira

Às 3:20, quando eu fazia a segunda ronda, o Guga acordou e eu dei graças à Deus ter com quem conversar. As outras pessoas começaram a acordar. O Fernando estava preocupado, todos notaram. Faltava confiança nos carros e nos motoristas.

Houve uma dor de barriga geral. Cada qual tomou o seu rumo e o terreiro ficou devidamente demarcado. Tomamos um leite, desarmamos nosso acampamento, apagamos a fogueira, juntamos o lixo para levar e nos dirigimos para a ladeira. Realmente era uma senhora ladeira, mas bem menor do que aquela que os meus medos noturnos pintaram. Trabalhamos a bendita, tirando as pedras grandes e pontiagudas e as mais soltas; jogamos terra em cima das menores, de forma a deixá-las mais fixas.

Essa operação durou umas duas horas. Éramos 17 pessoas refazendo uma estrada com as mãos e duas pázinhas de camping. Algumas mãos ficaram cortadas, unhas foram quebradas, alguém caiu, enfim, trabalhamos muito. Quando demos a arrumação por encerrada, subimos todos a pé, com exceção dos motoristas, que organizaram a estratégia. O Troller preto, ano 2003, subiria primeiro (era o melhor carro da expedição).

Subiu reduzido, calmamente, sem soltar pedras. Chegou em cima bem direitinho. Foi um alívio geral. Se os outros não subissem teria como se pedir ajuda em São Felix, talvez um trator, sei lá. Os dois carros mais preocupantes eram o Vitara e a L 200 que estava muito carregada. Subiu o Vitara, depois a L 200, o Troller branco e finalmente o nosso Troller azul com 4×4 sem redução que resolveu não entrar.

Delírio geral! Conseguimos! Amadurecemos mais um pouco. Tivemos oportunidade de nos mostrarmos solidários, funcionarmos como um grupo unido em busca de soluções, um exercício de auto conhecimento, conhecendo um pouco mais dos nossos companheiros. Eu fiquei cara a cara com o medo angustiante de me perder dos outros e o meu carinho por aqueles amigos aumentou muito enquanto eu guardava o acampamento com medo do fogo e dos possíveis bichos.

De Fortaleza ao deserto de Jalapão – Últimos dias !!!

Dia 07 de março
Perdidos no Jalapão – Enfim a trilha certa

Voltamos pela trilha , pegamos a estrada para São Felix, onde recebemos a informação sobre o caminho correto que é o seguinte: De São Felix até Lizardo (TO) e de Lizardo (TO) a Alto Parnaíba (MA). No Guia Quatro Rodas há uma estrada de São Felix direto a Alto Parnaíba. Mais uma vez errado. Ela não existe.

De São Felix a Lizardo há uma trilha com graus diferentes de dificuldade, alguns atoleiros, muita areia e sulcos muito cavados. O Vitara sofreu muito por ser baixinho. De Lizardo, teoricamente há uma estrada pela qual transitam ônibus, mas realmente é muito ruim. Uma mistura de trilha com estrada de piçarra mal acabada, muita água em baixadas com plantações de arroz até Alto Parnaíba (MA). A partir de Alto Parnaíba são 240km de asfalto muito bom até Balsas.

No meio do caminho os motoristas começaram a sentir sono. Paramos, fizemos uma festa e continuamos. Foi um dia muito duro. Doze horas de trilha ruim. Os motoristas chegaram destruídos e o meu pescoço também. Vovó tá ficando mole! Em Balsas jantamos e fomos para o Hotel. O Felipe ainda foi ao Hospital e acordou mais animado e sentindo mais firmeza. Estava perto da civilização, portanto mais seguro. Dormimos muito, acordamos tarde e mais descansados.

Dia 08,09 e 10 de março
De Balsas a Fortaleza
Distância: 1386km
O Fernando saiu cedinho pois tinha que chegar a Fortaleza no domingo. O resto do grupo seguiu para Teresina. Dormimos em um hotel na entrada da cidade. No dia 10 seguimos juntos pela Rodovia Estruturante (CE) quando nos separamos.

Eu, Haroldo e o Gustavo resolvemos seguir para a Praia de Flexeiras, nosso refúgio, onde dormiríamos. E foi assim que já separados encerramos o carnaval diferente. E bote diferente nisso!

Quando os dias passarem, com certeza o que aconteceu de ruim será deletado. Restarão as magníficas paisagens do Jalapão e nossa aventura na trilha perdida. Aí sim, já teremos enfrentado onças de todos os tamanhos, cobras muito venenosas das quais ninguém nunca escapou com vida e terríveis escorpiões. O Felipe terá escapado fedendo, com várias fraturas, em tempo de ficar ali no Cerrado, em alguma vereda de palmeiras de buriti.

Nossos motoristas terão se transformado em heróis, e o grupo todo se divertirá contando os fatos que já terão virado lenda ?

3 respostas a Jalapão – Tocantins 2003 – Brasil

  1. Antonio Carlos Carvalho disse:

    Também gosto e realizo aventuras off-road. Antes, com um bravo Suzuki/Samurai e agora com um Troller/2007.
    Não conheço ainda o Jalapão e sua narrativa – que só agora vejo – é muito interessante e certamente me será muito útil, quando for por lá.
    Observei que vocês se basearam em mapa do Guia Quatro Rodas e posso garantir, por experiência própria, que ele não serve nem para viagens de carro, sempre por asfalto. Para aventuras como a de vocês o melhor mesmo é pesquisar na Internet, usar rádio (como vocês fizeram) e GPS.
    Um abraço e muito mais aventuras.

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