16 de jan

Piqueros de Patas Azuis em Galápagos (Equador)

Ilhas Galápagos – Segundo dia

Passeio pelas Ilhas Española e Floreana.

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A Isla Española é uma das mais belas ilhas do arquipélago, também a mais preservada. Caminhamos por paisagens deslumbrantes de praias. Visitamos a única colônia dos espetaculares albatrozes de Galápagos, a única espécie de albatrozes a se reproduzir em regiões próximas à Linha do Equador. Vivem muito bem por aqui pois, além da ilha ter superfícies planas que possibilitam servir de campo de pouso – eles chegam a pesar 5kg e 3m de envergadura – tem penhascos marítimos e correntes de ar. Observando seu caminhar desajeitado, em terra, não se imagina seu voo extremamente bonito aproveitando essas correntes.. Colônias de pássaros (piqueros em espanhol) de pés azuis, outros de bicos vermelhos, praias cheias de iguanas marinhas, ou não. As iguanas marinhas têm uma história interessante. São únicas no planeta. Nadam no mar e, mergulham. Os machos adultos, verdadeiros animais pré históricos, mergulham a uma profundidade de 12 metros ou mais e podem ficar aí por mais de uma hora. Depois passam horas ao sol para se esquentar e manter o metabolismo. Esses bichos são encontrados em todas as ilhas mas, os da Isla Española são coloridos de um suave vermelhos e verde. Os machos alfa mantém um grande harém e têm que tomar conta para que outros não se apropriem de suas fêmeas. Já as iguanas terrestres são diferentes pois possuem uma crista espinhosa. Fazem colônias perto dos cactos e flores silvestres. Para variar os lobos marinhos também estavam presente. Eles são mais de 50.000 em todas as ilhas. Os machos atingem quase 250kg e seu harém costuma ter em torno de 30 fêmeas. Na época do acasalamento podem ficar dias sem comer e dormir para que outros machos não invadam e tomem seu harém. Os caranguejos quebravam a monotonia das cores escuras com seu brilhante vermelho. Vimos penhascos com o mar agitado lá embaixo batendo nas rochas e fazendo enormes tufos de água como se fossem geiseres. Ao nosso redor voavam os albatrozes, as gaivotas, fragatas negras, chafurdavam em nossos pés os iguanas alfa definindo seu lugar com as cabeças balançantes e seus sopros para expulsar o sal adquirido durante os mergulhos.. Ficamos por ali parados, um tempão vendo as acrobacias dos pássaros e o mar azul a perder de vista. Estávamos no Paraíso.

Fomos chamados para o barco. Almoçamos. O Santa Cruz começou a navegar para a Isla Floreana. Balançou um pouco durante o almoço e ficamos nos equilibrando pelo restaurante..

A Isla Floreana tem uma história bem dramática. Foi colônia penal durante muitos anos. Soubemos que foi aqui que ocorreram aqueles fatos narrados no diário passado sobre o dentista e sua mulher que resolveram viver um romance em uma ilha deserta (1930). Soubemos que o dentista para não ter problemas dentários extraiu, não só seus dentes como os de sua mulher. Fez uma dentadura, ao sair do continente, que era utilizada pelos dois. O dentista mais tarde morreu envenenado por uma galinhada. Suas galinhas haviam ingerido uma planta venenosa e morrido. Ele para não jogar as mortas fora resolveu aproveitá-las em um almoço. Sua mulher passou mal e vomitou. Ele insistiu, morreu também. Não se sabe que destino teve a viúva. Com certeza viveu muitos nos e feliz por ter a tal dentadura só para ela.

DSC 0172 300x199 Ilhas Galápagos   Segundo dia Caminhamos entre Palos Santos, um arbusto que perde suas folhas na estação seca e assim que começa a chover fica verde, como a Caatinga. Tem uma resina muito cheirosa. Em uma lagoa vimos um único flamingo. A guia nos contou que os ratos introduzidos lhes sugam os ovos antes mesmo de eclodirem e que os flamingos continuam aguardando o nascimentos dos filhotes. Entram na cadeia alimentícia antes mesmo de nascerem. Chegamos a uma praia cheia de ninhos de tartarugas. Muitas tartarugas e arraias brincavam no mar.

A tarde havia a opção de um snorkel avançado na Corona del Diablo, que vista do navio parecia mesmo uma coroa cheia de espinhos negros, metia medo. O snorkel se dava em uma corrente marítima em volta da Corona. Para quem não quisesse se aventurar por aí (nosso caso), havia um passeio em barco de fundo de vidro ou um snorkel mais leve próximo a um paredão de pedra na praia. Me arrependi de não ter ido no barco de fundo de vidro. As pessoas que foram, viram grandes tartarugas, arraias e muitos peixes. Não fiz o snorkel leve pois a água estava gelada e fiquei na praia entre lobos do mar. O Haroldo resolveu ir, colocou seu snorkel e pés de pato, partindo decidido. Viu muitos peixes coloridos e, segundo ele, um grande lobo do mar, macho, que não meteu medo.

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 Ao voltarmos para o barco, soubemos que um russo que estava no nosso grupo havia se acidentado em torno da Corona del Diablo. Parece que se assustou e se agarrou nas pedras. Nada grave. Escoriações generalizadas com impedimento para outras proezas.

Assim são as ilhas Galápagos. E quase assim as viu Darwin. Espécies adaptadas, vindas de um continente, talvez até por descuido, nadando, voando, boiando, os mais fortes resistindo, por 1000km ou mais, há 5.000.000 de anos atrás, quem sabe além disso. Os remanescentes desta aventura chegando lá, sem predadores, comida abundante, se adaptaram, aprendendo a nadar em mares ou perdendo suas asas porque não precisavam mais voar para caçar, só nadar. E nós? Para eles somos como uma coisa qualquer que merece ser observada. Não têm medo pois nunca conheceram predadores.

Pensar nisso, olhar o passado por esta janela, vale a viagem. Darwin matou Deus? Hum…

 

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