22 de nov

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I Expedição Pueblos Amigos y Hermanos

Entre a Ferrovia Transiberiana e o Butão

Engana-se quem pensou que eu estivesse parada. Minha página, sim, esteve parada por falta de espaço ou por preguiça mesmo de escrever. Foram tantas as experiências…

DSC00289 300x225 I Expedição Pueblos Amigos y Hermanos

I ?Expedição Pueblos Amigos y Hermanos – Chile, Bolívia e Peru.

Para começar depois da Transiberiana, formamos um grupo de 14 Trollers, nos reunimos e decidimos que durante um mês partiríamos de Fortaleza, chegaríamos ao Deserto do Atacama, Salar de Uyuni na Bolívia e depois visitaríamos Machu Picchu, voltando pela Rodovia do Pacifico, aquela que sai de Rio Branco no Acre.

Fizemos uma caixinha mensal, organizamos um cronograma, uma vez que aposentada só eu mesmo, reservamos Hotel, trabalhamos um pacote para Cuzco, Machu Picchu e Vale Sagrado com a Venturas e Aventuras www.venturas.com.br e no primeiro dia de fevereiro de 2008 pegamos um avião para São Paulo, uma vez que nossos carros já haviam partido de carreta e começamos a tal aventura. Nem eu e nem o Haroldo sabíamos que tipo de aventura viveríamos, bem diferente do que havíamos programado. Quase todo mundo passou mal no Paso Jama, 5.500m de altitude. Foi um tal de ficar tonto, dor de cabeça, barriga e, graças a Deus conseguimos chegar a San Pedro onde tivemos uma surpresa na fronteira. Estava fechada. Também… chegamos lá  meia noite. Foi o jeito armar nossas barracas. Alguns armaram, outros, como eu, ficamos romanticamente observando o céu mais estrelado da minha vida e assim candidamente dormi para acordar com um frio congelante do qual me defendia como podia já que não havia tirado de cima do Troller meu saco de dormir. Foi frio! No dia seguinte conseguimos chegar a nossa pousada e começamos nossos passeios. Foi aí que o bicho pegou e pegou muito feio. A caminho do pôr do sol, aquele maravilhoso em cima das dunas, nosso motor, esquentou e parou. Meu Deus! Na verdade nessa hora não sabíamos da gravidade do problema. Chamamos um reboque, uma caminhonete, nos despedimos dos amigos prometendo nos encontrar em Arica. Hum… Santa ingenuidade! Dirigimo-nos para Calama com o endereço de uma oficina. Estávamos bem esperançosos. Fomos para um Hotel ali pertinho e nessa mesma noite tivemos a notícia de que nosso motor tinha ido para o espaço. A explicação mais convincente foi a de que a bomba de combustível estava aberta para melhorar o desempenho nas dunas do Ceará. Na altitude, com pouco oxigênio e muita velocidade, o diesel não era queimado como devia, resultado, o diesel não queimado lavou os pistões e… só sei que estávamos em Calama já sabendo que a nossa viagem fora para o espaço. Inocentemente solicitamos do Brasil um kit de peças o qual ficou preso na alfandega do Brasil, depois do Chile e o nosso motor jazia todo desmontado reduzido a um monte de peças dentro de baldes para os quais nós olhávamos todos os dias desesperançados. Nada de peças, pedimos um outro kit. Nessas alturas quase vinte dias haviam passado, e tome de despesas. Tentamos colocar tudo em um reboque, mas só havia transporte através do Paraguai e todos diziam que pelo Paraguai jamais o carro chegaria ao Brasil. Será? Que situação! Enquanto eu chorava o Haroldo tentava alguma solução. Finalmente as peças chegaram, os dois kits de uma vez, mas os “mecânicos” não sabiam montar o motor. Com o auxilio do celular e de um mecânico da Trilha Fort, o motor foi montado, mas não virava. Choros, gemidos e ranger de dentes. Finalmente por cima de pau e pedra e com muita fumaça saímos de Calama, depois de sermos roubados, não só no conserto como também nas nossas coisas que estavam dentro do carro. Em uma noite o vigia tomou toda a nossa garrafa de cachaça, saiu desmontando a bagagem e transportando o que lhe interessava para seu quarto. O Haroldo, muito organizado, viu logo que estava tudo desarrumado, reclamou e conseguimos reaver algumas coisas, felizmente as mais valiosas. No decorrer da volta fomos sentindo falta do resto. De Calama não guardo nenhuma saudade e espero nunca mais passar por lá. Além de tudo tremores e muitos tremores os quais nos faziam correr horrorizados para debaixo das portas. Credo!

Conseguimos chegar ao Paso Jama após muitos sustos. Estávamos extremamente fragilizados e estressados. Chegamos a Salta já na Argentina debaixo de muita chuva e um barulho ensurdecedor no motor. Nessas alturas estávamos dando graças a Deus, finalmente Salta era mais perto do Brasil, era uma cidade grande, enfim… Achamos uma oficina que fez uma regulagem na bomba de combustível e saímos de Salta sentindo a maior firmeza, o motor roncando como o de um Troller novo. No retão para Resistencia no meio do Chaco Argentino, ao cair da tarde, o motor, para nosso desespero, esquentou e paramos no meio de uma estrada deserta, pedindo ajuda a quem passava, motorizado ou não. Finalmente parou uma caminhonete, uma família inteira. Esta família nos ajudou, rebocou o carro até a cidade mais próxima Presidente Saénz Peña, nos desejou boa sorte e nós nunca mais os esqueceremos, ficamos imensamente agradecidos.  Sentamos no bar vizinho ao Hotel e tomamos de supetão quatro garrafas, daquelas grandes, de cerveja para espalhar o sangue e só assim começamos a raciocinar. Conseguimos para o dia seguinte um reboque para a fronteira brasileira. O caminhão passava as marchas no tempo e levamos 18 horas para chegar a Foz do Iguaçu. Chegamos as três da madrugada. Nosso amigo Laercio de Fortaleza que chefiara nossa expedição (nessas alturas já fazia um tempão que haviam chegado), já havia conseguido uma carreta para o Ceará, fizera reservas em um hotel ali pertinho e estávamos no Paraíso. Muita caipirinha! Somos extremamente agradecidos ao Laércio. Sua solidariedade foi preciosa, coisa de amigo de verdade!

Daí o Troller veio para Fortaleza direto para a oficina. Nessas alturas só um motor novo! Ficou novinho. Terminou sendo vendido muito tempo mais tarde e a jovem suíça que o comprou continua morta de satisfeita. Assim terminou a nossa história com o Troller que fora ao Alaska e já tinha muita estrada no curriculum. Compramos outro Troller, também amarelo e continuamos viajando.

2 respostas a I Expedição Pueblos Amigos y Hermanos

  1. Olá Profa. Heloísa,
    Acho fantásticas as suas viagens. Me emocionei bastante quando, em 2010, estive em Cocrane, Chile, e ví, no quiosque de turismo, um adesivo da sua primeira expedição por aquela região. Sou professor da UFPB prestes a me aposentar. Atualmente tenho um Stark e pretendo, quando me aposentar, ir ao Alaska. Gostaria de ir “esquentando os motores”. Minha viagem ao Atacama e à Patagônia, de 33.000 Km, já foi um bom início. Se vc estiver planejando alguma atividade na qual eu possa me incluir, gostaria de candidatar. Disponho-me a ir até Fortaleza para participar de algum processo seletivo.
    []s
    João Carlos

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